segunda-feira, 19 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 58


Então, com o incentivo das suas palavras, deixei que ele me tomasse sob a noite estrelada.
Quando voltámos a Lisboa, o meu coração já se encontrava derretido e sobre o poder de Nuno. Durante imenso tempo eu não me arrependera de ter perdido a virgindade com ele, aliás, até pensava que ele merecia isso e muito mais. Eu estava completamente obcecada por ele, e por essa mesma razão, não vi que me tinha transformado no seu animalzinho de estimação. O quer que ele dissesse, o quer que ele fizesse, eu concordava com tudo e eu fazia tudo o que Nuno mandava.
Os meus pais tentaram avisar-me algumas vezes, inclusive o meu pai castigou-me com cera quente quando eu decidi que os meus fins de semana seriam passados na casa de Nuno e na borga.
- Se queres passar os fins de semana na casa desse diabo, terás que sofrer as consequências, Isabela. – Afirmou o meu pai depois de me queimar a barriga com cera quente.
Para aguentar a dor, cerrava os dentes num pano enfiado na minha boca. Desde pequena que já me habituara a como ela era, a como me fazia sentir. E já me preparava para que durante dias a zona afetada me fosse doer.
Então a partir daí, tornaram-se rotina os meus castigos e Nuno controlava todas as minhas saídas. Se ele me mandava ir à mercearia, eu ia. Se ele me mandava sair das aulas para estar com ele em casa, eu ia. Tanto de um lado como do outro, eu sofria. Só que do lado de Nuno, eu não tinha a mínima noção de que me sentia sofrer e que não estava certo continuar com aquela relação. Durante dois anos, mais coisa menos coisa, o termo escrava assentava na perfeição à minha pessoa. Nuno fazia de mim o que queria.
- Preciso de ti – declarava ele, fosse por telefone, fosse cara a cara. Eu sabia o que aquelas palavras significavam.
Representavam a necessidade carnal dele por sexo. Depois da minha primeira vez, sempre que ele dizia essas palavras – duma forma doce e gentil – eu sorria e por me sentir desejada, também o desejava a ele. O tempo passou, e apesar de eu não ver, ele também tinha mudado. Tornou-se controlador, obsessivo, possessivo e, só mais tarde vira a descobrir, mentiroso.
Harry parou o carro, o que me fez voltar ao presente duma maneira muito desagradável. Senti uma lágrima descer sobre a minha bochecha do lado esquerdo e rapidamente preocupei-me com a maquilhagem. Eu tinha que estar o mais perfeita possível.
- Harry, diz-me que não estraguei a maquilhagem – virei-me para ele para que me pudesse observar.
Ele, então, olhou-me e depois semicerrou os olhos.
- Porque estiveste a chorar? – Perguntou.
- Não estive a chorar, foi uma lágrima que caiu, nada mais.
Ele pegou num lenço de papel e limpou-me a bochecha cuidadosamente.
- Não estragou nada – sorriu. – Quer dizer…
Alarmei-me.
- O quê?
Harry pegou numa madeixa do meu cabelo e colocou-a atrás da minha orelha.
- Não precisas de maquilhagem para impressionar ninguém. – Baixou a cabeça. – Nomeadamente o Zayn… preferimos ver as raparigas ao natural.
- Pois, então não sei como é que ele está com a Perrie. Aquela pindérica usa quilos de maquilhagem – resmunguei.
Harry desmanchou-se em gargalhadas.
- Tenho que te dar crédito, porque tens razão.
Abriu a porta do carro e saiu. Olhei-me ao espelho, retificando o rosto. Eu sabia que era bonita, mas qualquer rapariga tem inseguranças em relação ao seu corpo, por isso não podiam recriminar-me por pensar que podia não estar decente.
Abri a porta e, com lentidão, saí. Arranjei a saia, compus o corpete e despenteei um pouco o cabelo, porque sabia que ele ficava melhor com um ar selvagem. Acompanhei Harry até à entrada da discoteca.
Imensa gente olhou para nós, reconhecendo Harry, claro, e estranhando a minha presença com ele. O segurança deu-nos caminho livre para entrar – provavelmente porque se Harry fizesse presença na discoteca de nome Anubis, isso significava publicidade.
- Vai à frente – disse ele, colocando-se atrás de mim.
- Não conheço este espaço, Harry! – Proferi.
- Vais ver que é fácil.
A discoteca estava cheia e a música alta fazia toda a gente dançar. Concluí que a discoteca era grande, vendo que havia umas escadas que levavam até lá acima, ao bar e à zona das mesas. O sítio onde eu e Harry nos encontrávamos era a zona da pista de dança.
- Eles estão lá em cima – gritou ele.

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