Então, com o
incentivo das suas palavras, deixei que ele me tomasse sob a noite estrelada.
Quando voltámos
a Lisboa, o meu coração já se encontrava derretido e sobre o poder de Nuno.
Durante imenso tempo eu não me arrependera de ter perdido a virgindade com ele,
aliás, até pensava que ele merecia isso e muito mais. Eu estava completamente
obcecada por ele, e por essa mesma razão, não vi que me tinha transformado no
seu animalzinho de estimação. O quer que ele dissesse, o quer que ele fizesse, eu
concordava com tudo e eu fazia tudo o que Nuno mandava.
Os meus pais
tentaram avisar-me algumas vezes, inclusive o meu pai castigou-me com cera
quente quando eu decidi que os meus fins de semana seriam passados na casa de
Nuno e na borga.
- Se queres passar
os fins de semana na casa desse diabo, terás que sofrer as consequências,
Isabela. – Afirmou o meu pai depois de me queimar a barriga com cera quente.
Para aguentar a
dor, cerrava os dentes num pano enfiado na minha boca. Desde pequena que já me
habituara a como ela era, a como me fazia sentir. E já me preparava para que
durante dias a zona afetada me fosse doer.
Então a partir
daí, tornaram-se rotina os meus castigos e Nuno controlava todas as minhas
saídas. Se ele me mandava ir à mercearia, eu ia. Se ele me mandava sair das
aulas para estar com ele em casa, eu ia. Tanto de um lado como do outro, eu
sofria. Só que do lado de Nuno, eu não tinha a mínima noção de que me sentia
sofrer e que não estava certo continuar com aquela relação. Durante dois anos,
mais coisa menos coisa, o termo escrava
assentava na perfeição à minha pessoa. Nuno fazia de mim o que queria.
- Preciso de ti
– declarava ele, fosse por telefone, fosse cara a cara. Eu sabia o que aquelas
palavras significavam.
Representavam a
necessidade carnal dele por sexo. Depois da minha primeira vez, sempre que ele
dizia essas palavras – duma forma doce e gentil – eu sorria e por me sentir
desejada, também o desejava a ele. O tempo passou, e apesar de eu não ver, ele
também tinha mudado. Tornou-se controlador, obsessivo, possessivo e, só mais
tarde vira a descobrir, mentiroso.
Harry parou o
carro, o que me fez voltar ao presente duma maneira muito desagradável. Senti
uma lágrima descer sobre a minha bochecha do lado esquerdo e rapidamente
preocupei-me com a maquilhagem. Eu tinha que estar o mais perfeita possível.
- Harry, diz-me
que não estraguei a maquilhagem – virei-me para ele para que me pudesse
observar.
Ele, então,
olhou-me e depois semicerrou os olhos.
- Porque
estiveste a chorar? – Perguntou.
- Não estive a
chorar, foi uma lágrima que caiu, nada mais.
Ele pegou num
lenço de papel e limpou-me a bochecha cuidadosamente.
- Não estragou
nada – sorriu. – Quer dizer…
Alarmei-me.
- O quê?
Harry pegou
numa madeixa do meu cabelo e colocou-a atrás da minha orelha.
- Não precisas
de maquilhagem para impressionar ninguém. – Baixou a cabeça. – Nomeadamente o
Zayn… preferimos ver as raparigas ao natural.
- Pois, então
não sei como é que ele está com a Perrie. Aquela pindérica usa quilos de
maquilhagem – resmunguei.
Harry
desmanchou-se em gargalhadas.
- Tenho que te
dar crédito, porque tens razão.
Abriu a porta
do carro e saiu. Olhei-me ao espelho, retificando o rosto. Eu sabia que era
bonita, mas qualquer rapariga tem inseguranças em relação ao seu corpo, por
isso não podiam recriminar-me por pensar que podia não estar decente.
Abri a porta e,
com lentidão, saí. Arranjei a saia, compus o corpete e despenteei um pouco o
cabelo, porque sabia que ele ficava melhor com um ar selvagem. Acompanhei Harry
até à entrada da discoteca.
Imensa gente
olhou para nós, reconhecendo Harry, claro, e estranhando a minha presença com
ele. O segurança deu-nos caminho livre para entrar – provavelmente porque se
Harry fizesse presença na discoteca de nome Anubis, isso significava
publicidade.
- Vai à frente
– disse ele, colocando-se atrás de mim.
- Não conheço
este espaço, Harry! – Proferi.
- Vais ver que
é fácil.
A discoteca
estava cheia e a música alta fazia toda a gente dançar. Concluí que a discoteca
era grande, vendo que havia umas escadas que levavam até lá acima, ao bar e à
zona das mesas. O sítio onde eu e Harry nos encontrávamos era a zona da pista
de dança.
- Eles estão lá
em cima – gritou ele.

Sem comentários:
Enviar um comentário