segunda-feira, 5 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 39


Parei de andar e ele fez o mesmo, esperando uma reação minha.
Mirei o rosto dele, pura beleza. Não admira que tivesse tantas raparigas rendidas aos seus encantos.
- Eu desenrascava-me, rapaz. – Puxei outro trago.
Zayn comprimiu os lábios, retomando a andar.
- Não conheces Londres como eu conheço. Acredita, ias-te perder sem mim.
Lá estava o ar de mandão de novo.
- Se eu me perdesse, telefonava ao Harry.
- Não seria ao Louis?
Rangi os dentes, controlando a raiva e a respiração.
- Não fui bastante óbvia, lá dentro? – Apontei para o Nando’s. – Eu e o Louis não temos nada. Aliás, ele não tem namorada? A Eleanor?
Ele sorria, o que me colocou ainda mais furiosa.
- Sabes uma coisa? Esquece. Podes voltar para o lugar de onde saíste, não preciso de ti.
Apressei o passo, tirando o telemóvel de dentro do bolso do casaco e procurando o número da central de táxis. A chamada tocou três vezes e depois atenderam-me.
- Sim? – Perguntei, puxando um rápido bafo no cigarro. – Podia pedir um táxi que me viesse buscar ao London Eye daqui a quinze minutos?… Obrigada.
- Bella, não precisas de fazer isso, eu levo-te a casa.
Levantei a mão ao ar, como se estivesse a enxotar um mosquito. Zayn continuava a vir atrás de mim, ora a correr ora a andar ao meu lado.
- Vai-te embora – disse entre dentes. – Não preciso de ti.
Devo dizer que estava a gostar do facto de ele vir atrás de mim. Eu não fazia de propósito. Eu estava mesmo irritada com o que ele dissera. Por quem me tomava ao referir Louis como a primeira pessoa a quem eu recorreria se estivesse perdida? Eu não era parva; eu sabia que isso só iria melhorar a queda que Louis sentia por mim.
- Harry vai ficar triste por saber que te foste embora. E tens que falar com Louis.
- Talvez afastar-me seja o melhor – falei com sinceridade.
Ele pôs-se à minha frente, obrigando-me a parar. Olhei-o nos olhos.
- Afastar? – Inquiriu. Acenei afirmativamente com a cabeça.
- Não vou pôr em risco o namoro do Louis e da Eleanor. Ela parece-me uma boa rapariga.
- Assim como tu. Não te podes afastar.
- Porquê?
Zayn não me respondeu, deixando a pergunta pairar no ar. Olhei para o relógio e percebi que só faltavam dez minutos para a hora marcada. Percebi também que não ia obter qualquer resposta.
- Certo, Zayn. Mais mistérios, mais divertimento. – Apaguei o cigarro no chão e passei por ele, batendo ombro com ombro. – Vou embora.
Nessa altura eu pensava que o dia com eles tinha acabado. Mas estava errada.
Cheguei a casa e ninguém estava. Estranhei, pois não estava à espera que tão pouco tempo depois a minha mãe arranjasse trabalho e baby-sitter para o meu irmão. Paguei ao taxista, no entanto, faltavam duas libras e mesmo assim o senhor deixou passar.
Decidi ligar à minha mãe.
- Estou, Laura? Onde estás?
Ah Bella, vim falar com a senhora da loja dos animais e oferecer alguns bolinhos caseiros.
- Não sabes falar inglês. – Suspirei.
Sei algumas coisas, e tenho o teu irmão para me ajudar.
Esfreguei a testa, de olhos fechados.
- Está bem. Guardaste alguma chave suplente debaixo do tapete ou de um vaso qualquer? Estou à porta de casa, sem chave.
Ora, não posso dizer onde está a chave, Bella, alguém pode ouvir…
- Laura, a senhora da loja não te percebe. Ou tens algum vizinho nosso português aí ao pé?
Que eu saiba não. A chave encontra-se debaixo do vaso pequeno dos amores-perfeitos.
- Está bem. Então até depois.

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