Parei de andar
e ele fez o mesmo, esperando uma reação minha.
Mirei o rosto
dele, pura beleza. Não admira que tivesse tantas raparigas rendidas aos seus
encantos.
- Eu
desenrascava-me, rapaz. – Puxei outro trago.
Zayn comprimiu
os lábios, retomando a andar.
- Não conheces
Londres como eu conheço. Acredita, ias-te perder sem mim.
Lá estava o ar de mandão de novo.
- Se eu me
perdesse, telefonava ao Harry.
- Não seria ao
Louis?
Rangi os
dentes, controlando a raiva e a respiração.
- Não fui
bastante óbvia, lá dentro? – Apontei para o Nando’s.
– Eu e o Louis não temos nada. Aliás, ele não tem namorada? A Eleanor?
Ele sorria, o
que me colocou ainda mais furiosa.
- Sabes uma
coisa? Esquece. Podes voltar para o lugar de onde saíste, não preciso de ti.
Apressei o
passo, tirando o telemóvel de dentro do bolso do casaco e procurando o número
da central de táxis. A chamada tocou três vezes e depois atenderam-me.
- Sim? –
Perguntei, puxando um rápido bafo no cigarro. – Podia pedir um táxi que me
viesse buscar ao London Eye daqui a quinze minutos?… Obrigada.
- Bella, não
precisas de fazer isso, eu levo-te a casa.
Levantei a mão
ao ar, como se estivesse a enxotar um mosquito. Zayn continuava a vir atrás de
mim, ora a correr ora a andar ao meu lado.
- Vai-te embora
– disse entre dentes. – Não preciso de ti.
Devo dizer que
estava a gostar do facto de ele vir atrás de mim. Eu não fazia de propósito. Eu
estava mesmo irritada com o que ele dissera. Por quem me tomava ao referir
Louis como a primeira pessoa a quem eu recorreria se estivesse perdida? Eu não
era parva; eu sabia que isso só iria melhorar
a queda que Louis sentia por mim.
- Harry vai
ficar triste por saber que te foste embora. E tens que falar com Louis.
- Talvez
afastar-me seja o melhor – falei com sinceridade.
Ele pôs-se à
minha frente, obrigando-me a parar. Olhei-o nos olhos.
- Afastar? –
Inquiriu. Acenei afirmativamente com a cabeça.
- Não vou pôr
em risco o namoro do Louis e da Eleanor. Ela parece-me uma boa rapariga.
- Assim como
tu. Não te podes afastar.
- Porquê?
Zayn não me
respondeu, deixando a pergunta pairar no ar. Olhei para o relógio e percebi que
só faltavam dez minutos para a hora marcada. Percebi também que não ia obter
qualquer resposta.
- Certo, Zayn.
Mais mistérios, mais divertimento. – Apaguei o cigarro no chão e passei por
ele, batendo ombro com ombro. – Vou embora.
Nessa altura eu
pensava que o dia com eles tinha acabado. Mas estava errada.
Cheguei a casa
e ninguém estava. Estranhei, pois não estava à espera que tão pouco tempo
depois a minha mãe arranjasse trabalho e baby-sitter
para o meu irmão. Paguei ao taxista, no entanto, faltavam duas libras e mesmo
assim o senhor deixou passar.
Decidi ligar à
minha mãe.
- Estou, Laura?
Onde estás?
“Ah Bella, vim falar com a senhora da loja
dos animais e oferecer alguns bolinhos caseiros.”
- Não sabes
falar inglês. – Suspirei.
“Sei algumas coisas, e tenho o teu irmão para
me ajudar.”
Esfreguei a
testa, de olhos fechados.
- Está bem.
Guardaste alguma chave suplente debaixo do tapete ou de um vaso qualquer? Estou
à porta de casa, sem chave.
“Ora, não posso dizer onde está a chave,
Bella, alguém pode ouvir…”
- Laura, a
senhora da loja não te percebe. Ou tens algum vizinho nosso português aí ao pé?
“Que eu saiba não. A chave encontra-se debaixo
do vaso pequeno dos amores-perfeitos.”
- Está bem.
Então até depois.

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