Marie deu uma
risadinha e depois trincou o lábio.
- O tal
organizador que eu conheço tem um fraquinho por mim, e todos os anos eu peço-lhe
que me dê um convite. Não foi difícil pedir-lhe mais seis.
Louis uivou.
- Ele deve
mesmo gostar de ti…
Marie revirou
os olhos.
- Agora é
assim, eu preciso que me digam qual o deus ou o semideus que irão escolher,
pelo menos até amanhã. Senão as outras pessoas que irão, roubam-vos a
personagem mítica… - ela deu outra risadinha.
- Eu já escolhi
– anunciou Niall, levantando-se. – Mas agora vou comer.
Suspirei,
pensando qual deusa iria eu escolher. A verdade é que não me lembrava de quase
nada da mitologia grega. Só os doze deuses principais e mais uns quantos. Sobre
semideuses, só me lembrava relativamente de Héracles e Teseu. Porque não me
recordo de haver semideusas conhecidas ou com uma grande lenda.
Os rapazes
levantaram-se. Zayn olhou para mim uma última vez e começou a falar
animadamente com Liam e Louis sobre os três deuses, Zeus, Posídon e Hades.
Harry continuava sentado, perdido nos seus pensamentos.
- Marie –
chamei-a, puxando-a para longe deles. – Nós temos que te dizer quem iremos
personificar, certo?
Ela acenou que
sim, sorrindo.
- Então irás
saber quem irá interpretar quem, certo?
- Acho que sim
– deu uma gargalhada. – Mas porquê? Não sabes mesmo que deusa poderás
representar?
Sorri de
frustração.
- A verdade é
que só me lembro de Afrodite e Perséfone.
Marie agarrou
no meu rosto e fez questão de mostrar que me avaliava bem. Depois murmurou de
maneira a que só eu pudesse ouvir.
- Davas uma
ótima Afrodite, minha bela.
- Não digas
parvoíces, Marie, não sou digna de interpretar a deusa do Amor.
No entanto,
sentia-me corar só com o que ela afirmara.
- Bella,
qualquer rapariga poderia fazer de Afrodite. Porque o conceito de beleza é
muito relativo, e todas nós somos lindas. De uma maneira ou de outra. – Deitou
a língua fora.
Fechei os
olhos, rindo do que ela dissera. Depois voltei a olhar para Marie.
- Pessoas como
tu fazem deste mundo um sítio melhor onde se viver. Tudo o que disseste é
verdade, mas é pena que nem toda a gente pense assim.
Ela deu-me um
beijo ténue no rosto.
- Está
decidido. Serás Afrodite.
Por voltas das
cinco da tarde, já todos tinham decidido quem iriam interpretar na festa
temática. Niall era o mais entusiasmado de todos, provavelmente porque deveria
saber como iria Marie. Eu tinha a certeza de que eles iriam interpretar um
casal de deuses apaixonados. Ou talvez Helena de Troia e Páris. Conquanto,
Niall daria um bom Apolo.
Enquanto todos
conversavam na sala, vim até ao corredor, ligar à minha mãe e explicar a ideia.
Durante um bom bocado tentei aclarar o conceito da ideia, mas no final Laura
conseguiu entender.
- O que estás
aqui a fazer? – Perguntou alguém atrás de mim. Era Zayn.
- Estava a
explicar à minha mãe o que Marie nos disse.
Olhei para o
telemóvel. A foto de Louis continuava lá.
Zayn
aproximou-se de mim e eu recuei, embatendo contra a parede.
- E se fosse um
segredo só nosso quem tu irás interpretar? – Perguntou, encostando o seu corpo
no meu e a olhar os meus lábios.
Engoli em seco.
- É suposto as
pessoas irem em anonimato – murmurei, sentindo a garganta seca. – E eu não te
digo que deusa serei, porque creio que tu também não me dirias.
- Com que então
serás uma deusa… – sussurrou, sorrindo perversamente.
No entanto, os
seus olhos não transmitiam qualquer fome carnal, apenas algo que me pareceu
ternura.
- Vou agora a
umas lojas comprar os materiais que preciso para a máscara. Queres vir? –
Convidou-me.
Eu sabia que
seria suspeito só irmos os dois, mas não queria perder aquela oportunidade por
nada.
- Está bem.
Talvez eu consiga perceber quem serás tu. – Pisquei o olho, saindo do casulo
que os seus braços formaram à minha volta.
Zayn falou aos
rapazes o que íamos fazer, e Harry lançou-me um olhar reprovador, fazendo-me
sentir culpada.
Entrámos no seu
Lamborghini, para que de imediato nos puséssemos em andamento. A maior parte do
tempo entreolhávamo-nos como duas crianças que tinham acabado de dar um beijo,
e estavam ambas demasiado envergonhadas para falar. Eu desconhecia para onde
estava Zayn a levar-me, mas sabia que ele precisava mesmo de materiais para a
vestimenta, então não fiz perguntas e esperei até que parássemos.
Quando ele
estacionou o carro, à frente de uma loja de costura, toda a minha esperança de
ele poder interpretar Ares, tinham ido pelo cano abaixo.
- Confesso que
agora é que não tenho nenhuma ideia de quem poderás personificar – falei.
Ele abriu a
porta do Lamborghini, saiu e eu fiz o mesmo.
- Não te
preocupes – disse ele, enquanto nos dirigíamos para a loja.
Depois parou à
frente da mesma, aproximou-se de mim e olhou bem nos meus olhos.
- Na altura
saberás quem eu serei. – Sorriu enviesadamente. – Só não te esqueças da cor dos
meus olhos e da feição dos meus lábios.
- Nunca –
proferi inconscientemente.
Ele deu uma
gargalhada e entrou na loja.

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