- Eu vou! –
Gritou Sam, saltando do meu colo e indo a correr até à porta.
Continuei a
olhar para o lume, refletindo sobre como dar um fim à história. Normalmente
contava-lhe histórias da Disney, mas recentemente era eu que as inventava.
- Mana, é para
ti! – Ouvi Sam gritar.
Revirei os
olhos.
- A esta hora
da noite, quem tem a lata de me vir… - A minha voz esmoreceu-se mal vi Zayn,
encostado à ombreira da porta. – … chatear?
Zayn exibia um
sorriso presunçoso, como se estivesse a desfrutar da minha reação colateral à
sua chegada. Usava uma roupa diferente; calças pretas, t-shirt azul-escuro e um
casaco de ganga.
- Que estás
aqui a fazer? – Perguntei, expressando impaciência.
- Vim ver-te.
Não posso?
Pegou em Sam ao
colo, sorrindo para ele e apertando gentilmente no nariz do meu irmão.
- E também já
tinha saudades aqui do Booboo.
- Só eu é que
lhe posso chamar isso.
Zayn olhou para
mim atentamente. Aquilo
desconcentrou-me, porque se calhar ele sabia o efeito que criava em mim.
- Mana – chamou-me
Sam, e com muito esforço, cortei o olhar que travava com Zayn. – O Zayn pode
ouvir a história comigo?
O meu irmão
exibia um olhar de cachorrinho abandonado. Eu sabia que ele ia ficar triste se
eu não deixasse Zayn entrar em casa.
- Está bem,
Booboo. Se a mãe não se importar, ele entra.
Claro que
escusado será dizer que Laura parecia completamente contente com a chegada de
Zayn. Eu devia ser a única maldisposta no meio daquilo tudo.
Já instalados,
sentados na carpete cor de sangue, Sam encontrava-se de novo sentado no meu
colo. E Zayn estava de frente para mim, esperando a história retomar de novo.
- Ora bem, onde
estávamos nós? – Perguntei, não me lembrando sinceramente de onde tínhamos
parado.
- A menina
chamava-se Ariel – relembrou Sam.
- Oh sim!-
Intercetei. – O príncipe cego e a sua nova amiga, brincavam muitas vezes no jardim
das traseiras do castelo; Ariel ajudando o príncipe a identificar os sons das
aves, as direções do vento e os cheiros de cada flor. Os reis a princípio não
gostavam da amizade entre o príncipe e a menina, mas ao verem o seu filho
contente e finalmente a sorrir, deixaram os dias passar.
Fiz uma pausa.
- Até ao dia em
que o menino fez dez anos.
- O que
aconteceu nesse dia? – Perguntou Sam.
- Uma coisa
terrível, Booboo. – Por momentos levantei o olhar, para encontrar o de Zayn.
Ele também estava atento, mas não na história. – Na festa de aniversário que os
reis prepararam para o seu filho, apareceu uma bela, mas temível, princesa.
Corria nos ventos de todo o reino e arredores que ela tinha poderes capazes de
tremendas coisas! Coisas terríveis, como…
Conseguia ouvir
o coração de Sam a bater forte no seu peito.
- Como o quê,
mana? – Perguntou ele, com os olhos a brilhar.
Baixei a cabeça
e sussurrei:
- Como fazer
alguém ficar cego.
Sam respirou
fundo e a correr, saiu do meu colo para se esconder debaixo dos braços de Zayn.
Este último não estava preparado para isso, mas envolveu o meu irmão no seu
colo. Eu admiti um ar de má.
- A temível
princesa não era só uma simples princesa, era também a bruxa má, Galápagos, a
bruxa que lançara a maldição ao pequeno príncipe.
- Porque é que
ela voltou? – Quis Sam saber.
Endireitei-me.
- Veio avisar
os reis de uma coisa.

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