segunda-feira, 5 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 41


- Eu vou! – Gritou Sam, saltando do meu colo e indo a correr até à porta.
Continuei a olhar para o lume, refletindo sobre como dar um fim à história. Normalmente contava-lhe histórias da Disney, mas recentemente era eu que as inventava.
- Mana, é para ti! – Ouvi Sam gritar.
Revirei os olhos.
- A esta hora da noite, quem tem a lata de me vir… - A minha voz esmoreceu-se mal vi Zayn, encostado à ombreira da porta. – … chatear?
Zayn exibia um sorriso presunçoso, como se estivesse a desfrutar da minha reação colateral à sua chegada. Usava uma roupa diferente; calças pretas, t-shirt azul-escuro e um casaco de ganga.
- Que estás aqui a fazer? – Perguntei, expressando impaciência.
- Vim ver-te. Não posso?
Pegou em Sam ao colo, sorrindo para ele e apertando gentilmente no nariz do meu irmão.
- E também já tinha saudades aqui do Booboo.
- Só eu é que lhe posso chamar isso.
Zayn olhou para mim atentamente. Aquilo desconcentrou-me, porque se calhar ele sabia o efeito que criava em mim.
- Mana – chamou-me Sam, e com muito esforço, cortei o olhar que travava com Zayn. – O Zayn pode ouvir a história comigo?
O meu irmão exibia um olhar de cachorrinho abandonado. Eu sabia que ele ia ficar triste se eu não deixasse Zayn entrar em casa.
- Está bem, Booboo. Se a mãe não se importar, ele entra.
Claro que escusado será dizer que Laura parecia completamente contente com a chegada de Zayn. Eu devia ser a única maldisposta no meio daquilo tudo.
Já instalados, sentados na carpete cor de sangue, Sam encontrava-se de novo sentado no meu colo. E Zayn estava de frente para mim, esperando a história retomar de novo.
- Ora bem, onde estávamos nós? – Perguntei, não me lembrando sinceramente de onde tínhamos parado.
- A menina chamava-se Ariel – relembrou Sam.
- Oh sim!- Intercetei. – O príncipe cego e a sua nova amiga, brincavam muitas vezes no jardim das traseiras do castelo; Ariel ajudando o príncipe a identificar os sons das aves, as direções do vento e os cheiros de cada flor. Os reis a princípio não gostavam da amizade entre o príncipe e a menina, mas ao verem o seu filho contente e finalmente a sorrir, deixaram os dias passar.
Fiz uma pausa.
- Até ao dia em que o menino fez dez anos.
- O que aconteceu nesse dia? – Perguntou Sam.
- Uma coisa terrível, Booboo. – Por momentos levantei o olhar, para encontrar o de Zayn. Ele também estava atento, mas não na história. – Na festa de aniversário que os reis prepararam para o seu filho, apareceu uma bela, mas temível, princesa. Corria nos ventos de todo o reino e arredores que ela tinha poderes capazes de tremendas coisas! Coisas terríveis, como…
Conseguia ouvir o coração de Sam a bater forte no seu peito.
- Como o quê, mana? – Perguntou ele, com os olhos a brilhar.
Baixei a cabeça e sussurrei:
- Como fazer alguém ficar cego.
Sam respirou fundo e a correr, saiu do meu colo para se esconder debaixo dos braços de Zayn. Este último não estava preparado para isso, mas envolveu o meu irmão no seu colo. Eu admiti um ar de má.
- A temível princesa não era só uma simples princesa, era também a bruxa má, Galápagos, a bruxa que lançara a maldição ao pequeno príncipe.
- Porque é que ela voltou? – Quis Sam saber.
Endireitei-me.
- Veio avisar os reis de uma coisa.

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