segunda-feira, 5 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 42


- Porque é que eles têm que matar uma pessoa para verem o menino bem? – Perguntou Sam com uma expressão triste.
- Sim, porquê? – Investiu Zayn.
- Não sou eu que faço as histórias, Booboo. Não te esqueças, eu sou apenas o narrador. – Pisquei o olho.
Zayn olhava para mim, o que mais uma vez me deixou desconfortável. Porque os seus olhos, grandes e maravilhosamente hipnotizantes, criavam um friozinho no meu estômago que eu não era capaz de controlar.
- Os reis testaram cada pessoa no seu reino, mas ninguém tinha coração puro, até porque ninguém queria arriscar a sua vida para salvar outra pessoa, mesmo que fosse o príncipe cego. Até que um dia, Ariel apareceu.
Sam sorriu, e eu também.
- Os pais do príncipe perguntaram-lhe o que estava ela ali a fazer. Ariel respondeu “venho entregar o meu coração aos deuses, para que o príncipe Veja”. A Rainha não acreditou que ela fosse de coração puro; então propuseram-lhe uma série de testes parecidos aos que o povo teve que fazer. Ariel passou em todos.
- E o príncipe? Ele sabia o que Ariel estava prestes a fazer? – Perguntou Sam.
- Não, meu pequenino Booboo. – fiz-lhe cócegas durante um segundo. – O príncipe não sabia de nada, porque os pais também se esqueceram de lhe dizer. Estavam tão preocupados em fazer Sam voltar a ver que não se lembraram que Ariel era a única amiga dele.
Sam caminhou para o meu colo, trazendo Zayn a aproximar-se de mim. Eu não disse nada, rezando para que ele se aproximasse mais. Deus assim ouviu as minhas preces, e Zayn estava quase tão perto de mim quanto Sam. Podia sentir-lhe o calor que emanava do seu corpo. Mas era provável que fosse apenas o calor do lume. Tentei concentrar-me na história.
- O ritual que iam fazer, requeria conhecimentos do forasteiro que os aconselhara. Mandaram chamá-lo e perguntaram “Forasteiro, o que é preciso fazer agora?”. A cada palavra emitida pelo homem, os reis iam assentindo, atentos a todo o processo que teriam de fazer.
Sam já fechava os olhos.
- Ariel estava pronta. – Proclamei em voz baixa. Olhei para Zayn. – Ela ia-se sacrificar para que o pequeno príncipe tivesse a sua visão. Mas não o fazia de má vontade, ou arrependida. – À medida que contava a última parte da história, não fui capaz de cortar o olhar entre mim e Zayn. Atrevo-me a dizer que nem eu nem ele queríamos fazê-lo. – Ela queria fazê-lo. Ela queria salvá-lo da tristeza em que ele vivia.
Zayn aproximou-se mais. E o meu coração quase que saltava de ansiedade.
- No momento em que o coração de Ariel fora sacrificado aos deuses – a minha voz sussurrada era límpida – a maldição fora quebrada. E o menino voltou a ver.
Zayn sorriu.
- O príncipe correu e saltou por todo o castelo, vendo e absorvendo cada imagem por onde os seus olhos pousavam. Ele estava felicíssimo. Lembrou-se de Ariel. Pediu a toda a gente que lhe dissessem onde ela estava, mas ninguém dizia. Foi ter com os pais. “Mãe, Pai, a Ariel?”, a pergunta pairava no ar. O Rei, com pena do filho, respondeu “Artur, a Ariel fez uma coisa por ti que nunca ninguém mais irá fazer”.
Sam já adormecera, então deixei a história a meio.
- E o pequeno príncipe? – Perguntou Zayn.
- O Sam adormeceu, amanhã acabo de contar a história.
Zayn aproximou-se.
- Conta-me – sussurrou, inclinando a cabeça na minha direção.
Será que eu sabia o que ia acontecer? Ia mesmo ele beijar-me? A velha expressão bem o dizia, sentia borboletas no meu estômago.
Ele olhou para os meus lábios e eu só rezava para que ele me beijasse logo, de uma vez. Porque eu não me conseguia mexer. Engoli em seco.
- Menino, já faz tarde.

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