terça-feira, 20 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 62


Voltei para ao pé de Ryan, sentando-me à frente de Zayn enquanto cruzava as pernas. Uma porção generosa de raiva assolou-me o espírito mal notei que ele pouco se interessava se eu brincava com a mão de Ryan ou não.
- Podemos ir para outro lado, se quiseres – sussurrou Ryan ao meu ouvido, fazendo-me cócegas. Dei uma risadinha que despertou – finalmente – Zayn.
- Só se prometeres portares-te bem – murmurei também, enquanto mexia numa madeixa de cabelo de Ryan.
Ele sorriu perversamente, mostrando uns dentes brancos e perfeitamente alinhados. Levantou-se, ajeitou o casaco e estendeu-me a mão. Peguei nela, deixando que ele me puxasse.
- Onde vais? – Perguntou Zayn, assim que dei dois passos em direção às escadas.
- Não te interessa – respondi, lançando um olhar enfurecido.
Virei costas e deixei que Ryan me guiasse até lá fora. Quando saímos da discoteca, senti um arrepio subir-me a espinha. Fechei o casaco, suspeitando por que razão estava eu a ser guiada para um beco.
- É aqui que tens o carro? – Perguntei, sentindo um ligeiro pressentimento de que não era essa a pergunta correta.
Ryan olhou para mim e entendi o que se ia passar a seguir.
Empurrou-me contra a parede, grudando o seu corpo no meu. Apoderou-se dos meus lábios, revelando uma gana moribunda por eles. Desceu as mãos pela minha cintura até à barriga das pernas, tentando subir as mãos por dentro da saia mas evitei-o. Por sua vez, desistiu com facilidade, colocando as mãos na cintura. Por pouco tempo, infelizmente.
Tentou encontrar como tirar-me o corpete, desesperando por me ver seminua. Isso resultou na fugaz dor que senti quando puxou o corpete pela frente, levando-me com ele. Afastei-lhe a mão.
- Bem podes tirar o cavalinho da chuva, de mim não vais receber nada. – Avisei.
Endireitei o corpete e, com calma, afastei-me. Nem dois passos tinha dado, já ele estava a puxar-me com brusquidão. Agarrou-me no pescoço, e impulsionou-me (de novo) contra a parede; desta vez senti o ar a ser-me puxado do peito.
- Se ficares quietinha – sussurrou Ryan – nada acontecerá.
Mostrou uma naifa comprida e afiada. O meu coração bateu aceleradamente, deixando-me com os nervos à flor da pele.
Irá tudo ficar bem, tem calma.
Quando me apercebi de que Ryan queria cortar-me o corpete com a navalha, fechei os olhos com força, encolhendo-me. Ele passou a ponta afiada fria a partir da zona de dentro do meu braço, subindo até ao ombro para voltar a descer, desta vez até à zona do peito.
- És completamente esbelta, Bella.
Com força e um pouco de ímpeto, descoseu o tecido, abrindo o corpete ao meio. Ele caiu no chão, expondo o meu peito a Ryan.
- Mas o que…? – Ryan começou a tecer um comentário sobre os meus seios revestidos em cicatrizes, mas alguém impeliu contra ele e deitou-o ao chão, antes que ele pudesse acabar a frase.
Assisti à cena que a seguir se desenrolou, calada e com medo. O meu primeiro instinto centrou-se em tapar o meu peito, não pelo frio, mas pela vergonha de alguém ver as minhas cicatrizes. Ryan e o rapaz que o lançara contra o chão, começaram o que não me parecia ter fim. Reconheci o cabelo da pessoa.
- Zayn – murmurei, dando graças a Deus por ele ter vindo atrás de nós.
O meu salvador deu um último murro ao que iria ser o meu violador, fazendo com que este cuspisse sangue. Ryan olhou para Zayn com a cólera nos olhos.
- Nunca devias sequer ter-lhe tocado. Desaparece antes que eu te mate – avisou Zayn. Se o aviso dele não assustou Ryan, tenho que começar a ter cuidado com quem escolho.
- Sabes uma coisa? – Advertiu Ryan, cuspindo para o chão. Posteriormente lançou-me um olhar acre – Ela não vale o esforço. Meter-me-ia nojo olhar para aquele peito enquanto a penetraria.
Após aquelas palavras que me atingiram com vigor, Zayn impeliu de novo contra Ryan, atirando-o mais uma vez ao chão. Agarrou-lhe na t-shirt pelo colarinho e legou outro soco. Deixou-o inconsciente.
Observei Zayn a respirar com força. Ele olhou para mim, logo a seguir a certificar-se que Ryan não se levantava mais. Durante vários segundos não se mexeu, o que me enervou porque não sabia o que ele pensava.
Cedi a todos os esforços que fazia para não me passar e os meus olhos lacrimejaram sem parar.
Zayn correu a vir ter comigo, puxando-me para cima quando me viu desfalecer à sua frente. Levantou-me o rosto.
- Vais ficar bem – murmurou fortemente. – Eu tomo conta de ti.
Deixei que ele me guiasse até ao seu carro. Ajudou-me a entrar, mas tive sempre o cuidado de não abrir o casaco, pois este não tinha nem fecho, nem botões. Quando meteu o carro em andamento, ligou o calorífero que rapidamente me ajudou a deixar de tremer.
Não falámos durante o caminho todo. Eu não tinha coragem de começar a falar porque sentia que se dissesse qualquer coisa, ele apontar-me-ia o dedo; quem causou isto fui eu, pois deixei que Ryan se aproximasse no momento em que não o conhecia de lado nenhum. Talvez Zayn estivesse tão zangado comigo que nem ligaria a isso.
Havia outra coisa que me preocupava, que me preocupava muito.
O que estaria Zayn a pensar sobre o que Ryan disse acerca do meu peito?
Ele não chegara a dizer que os meus seios estavam cobertos de cicatrizes e que isso os tornava feios, mas o mais provável era que Zayn chegasse a essa conclusão. Ele era esperto e inteligente, iria fazer bem as contas.

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