Chegámos à
porta de minha casa e, continuando com a mudez, saí do carro.
Fá-lo sair também, Deus Senhor, fá-lo sair também…
A minha prece
foi atendida, Zayn saiu do carro e acompanhou-me à porta. Parei e virei-me para
ele, levantando um pouco o rosto e olhando-o nos olhos. Acariciou-me.
- Não te metas
em confusões quando eu me for embora, está bem?
A sua voz, tão doce
e tão suave, ficou gravada na minha mente para que em qualquer altura eu me
lembrasse dela, e assim conseguir sorrir com sinceridade. Estava-se a tornar
cada vez mais difícil lidar com ele como apenas um simples amigo.
- Espera –
pedi, vendo-o a afastar-se.
Zayn olhou para
mim e mordi o lábio, evitando o choro que aí ante vinha.
- Não me deixes
sozinha.
Na minha
cabeça, eu pensava que sabia que ele não iria aceitar; porque se de madrugada
entrasse em casa duma rapariga, principalmente uma rapariga a quem já dera um
beijo, isso iria parecer mal na manhã do dia seguinte. Já para não falar dos paparazzi e, mais perigoso ainda, a
minha mãe. Desde que comecei a levar Nuno a nossa casa – em Portugal – e ele
dormia lá frequentemente, ela passou a odiar a ideia de trazer quem quer que
fosse a dormir debaixo do teto dela.
Mas Zayn olhou
para mim e notei no seu olhar uma réstia de esperança. Não foi preciso ele
dizer coisa alguma, porque bastou aproximar-se de mim e sorrir para que eu
compreendesse que ele ficaria.
As botas dele
faziam barulho sempre que pousavam no soalho de madeira das escadas. Enquanto
ele me seguia até ao meu quarto, tentámos com todo o silêncio possível não
acordar o meu irmão e a minha mãe. No entanto, depois lembrei-me que o mais
provável seria Sam estar a dormir no meu quarto. Eu sabia que não iria valer de
nada rezar agora, mas não deixei de pedir a Deus que o meu irmão não estivesse
lá.
Respirei fundo
quando acendi a luz do quarto, olhei para a cama e não vi ninguém lá deitado.
Com borboletas no meu estômago – tais que não deviam existir – deixei-o entrar,
fechando a porta atrás de nós.
- O Sam é
sonâmbulo e eu pensava que ele tivesse vindo para o meu quarto, dormir, mas
enganei-me, parece… - A minha voz desvaneceu-se quando ele me olhou de cima a
baixo, prolongando o olhar na zona dos meus seios. – Pára com isso – Pedi.
- Desculpa –
disse, desviando o olhar para o chão.
Engoli em seco,
passando por ele. Agarrei no meu pijama que estava no chão e dirigi-me até à
porta.
- Não saias
daqui… vou só vestir o pijama e já venho.
Abri a porta
com o máximo cuidado possível e retornei a fechá-la quando saí do quarto.
Na casa de
banho, olhei-me ao espelho e os meus olhos lacrimejaram de novo.
- Está-se a
tornar complicado controlares-te, Isabela Ferreira. Tens que parar com isso –
murmurei para o vazio.
Mas as últimas
palavras atingiram-me mais fortemente, e as lágrimas caíam dos olhos em força.
Doía-me o coração, doía-me a alma. Como fui capaz de me expor a outra pessoa
daquela forma? Eu sabia que corria o risco de Ryan não ser uma pessoa boa. E mesmo assim…
- Mesmo assim
fui nas lengalengas dele – sussurrei outra vez.
Respirei fundo
e comecei a tirar a roupa. Atirei-a para o cesto da roupa suja e, o mais
rapidamente possível, vesti o pijama. Olhei para o meu rosto, no espelho.
Tirar a maquilhagem, Isabela.
Procurei os
discos de algodão em cima da bancada e banhei um em creme desmaquilhante. Fiz
todo o processo que tinha a fazer e reparei num pormenor que não tinha pensado.
As olheiras.
Nunca deixei que alguém me visse sem olheiras. Tirando como é óbvio a minha
família; e apesar de Harry, na outra noite, me ter visto ao natural (à conta do
quão relaxada eu estava nesse dia), nem mesmo Nuno me tinha visto assim.
O silêncio
quase que me absorvia, tal era o gosto que eu estava a ter em estar sozinha.
Contudo, Zayn estava no meu quarto e eu não podia esconder-me de vergonha por
causa do que acontecera. Não faz mal,
Bella, ele pode ver-te.
O meu instinto
era de tal maneira arrebatador, que eu não questionei nem uma vez sequer sobre
se ele se iria assustar com a minha figura.
Saí da casa de
banho. Em bicos de pé entrei no quarto, reparando que ele se tinha sentado na
cama, mas rapidamente se levantou. Senti o seu olhar nas minhas costas enquanto
fechava a porta. O trinco deu-se, mas deixei-me ficar um tempo virada para a
porta. Francamente, eu tinha medo.
- Nunca levei
tanto a sério esta questão, quanto estou a levar agora, Zayn. – Sussurrei,
colocando uma madeixa atrás da orelha.
- O que se
passa? – Perguntou.
Eu quis
virar-me, mas quando percebi que ele estava próximo de mim, escondi o rosto de
novo.
- Olha para mim
– murmurou.
Não fiz o que
ele me mandou. Se Zayn ao menos soubesse o porquê de eu me esconder dele,
talvez entendesse.

AMAZAYN :))
ResponderEliminarYour fic are perfect!
"Never spot"
stop**
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